Como comprar câmera usada sem cair em golpe: checklist de 10 pontos
O anúncio parece perfeito: o corpo que você quer, 30% abaixo do mercado, "vendo urgente por motivo de viagem". Você faz o Pix, o perfil some. Ou pior: a câmera chega, liga, e três semanas depois o obturador trava — 180 mil cliques que o vendedor jurou serem 20 mil. Comprar usado é a forma mais inteligente de montar kit profissional, desde que você compre como profissional.
Antes de sair de casa
- Preço fora da curva é o golpe anunciando a si mesmo. Pesquise a faixa real do modelo; abaixo de 20% dela, a chance de golpe ou defeito oculto é enorme.
- Investigue o vendedor. Perfil criado ontem, sem histórico, sem portfólio, só fotos tiradas da internet? Passe. Prefira comprar de profissional identificável, com reputação pública que ele tem a perder.
- Peça vídeo em tempo real (não gravado): a câmera ligando, o menu, uma foto sendo tirada, o número de série visível. Golpista some nessa hora.
- Nunca pague sinal para "reservar". Sinal antes de ver o equipamento é o golpe mais comum do mercado.
No teste presencial (ou por vídeo detalhado)
- Shutter count. Confira o número de cliques (o menu de algumas marcas mostra; em outras, sites lêem dos metadados de uma foto sem edição). Até 50 mil: tranquilo. 50–150 mil: negocie. Acima de 150 mil: só com bom desconto — obturador tem vida útil.
- Sensor. Foto de um fundo claro e uniforme (céu, parede branca) em f/16: pontos escuros repetidos são poeira (resolvível) ou fungo/risco (fuja).
- Mecânica e borrachas. Encaixe de lente sem folga, portinhas de cartão e bateria firmes, borrachas sem descolar (borracha solta denuncia umidade ou uso intenso).
- Todos os pontos de contato: as duas rodas de comando, todos os botões, flash, entrada de microfone e HDMI, foco automático em várias áreas, gravação de vídeo por 2–3 minutos (esquenta? desliga?).
- Cartão seu, foto sua. Leve seu cartão, faça fotos em RAW e leve para analisar em tela grande: hot pixels, faixas, foco frontal/traseiro.
- Papelada. Nota fiscal, caixa e histórico de revisão valem dinheiro — e um vendedor que guarda tudo isso costuma ser o mesmo que cuidou do equipamento.
A trilha do dinheiro
- Pague na entrega, depois do teste — Pix na frente da pessoa, em local público e movimentado (muitos cartórios e agências têm área segura).
- Compra à distância? Use intermediação com garantia ou, no mínimo, videochamada de teste + nota + contrato simples de compra e venda com número de série.
- Desconfie de "meu irmão entrega": triangulação é padrão de golpe.
Compre de quem tem rosto
O jeito mais eficaz de reduzir risco é comprar dentro da comunidade profissional. Na IsoScanning, os anúncios de equipamentos ficam ligados ao perfil de quem vende — portfólio, avaliações, tempo de plataforma. Você negocia com um profissional identificável, não com um número descartável.
Perguntas frequentes
Usado de loja ou de pessoa física?
Loja dá garantia curta e cobra por ela (10–20% a mais). Pessoa física sai mais barato; o checklist acima é a sua "garantia".
Qual a quilometragem aceitável de uma lente?
Lente não tem contador — avalie óptica (fungo, risco, embaçado), anel de foco/zoom macio e AF preciso. Lente bem cuidada de 10 anos pode ser excelente compra.
Vale comprar corpo com muitos cliques bem mais barato?
Para segundo corpo ou estudo, sim — desde que o preço reflita a troca futura do obturador (orce antes de fechar).