MEI para fotógrafo e videomaker: vale a pena? Limites, o que pode e quando sair
"Você emite nota?" — a pergunta que separa o freela do fornecedor. Agência, empresa e produtora contratam quem emite nota fiscal, e o caminho mais barato para isso no Brasil é o MEI. Mas fotógrafo escuta de tudo: que "não pode ser MEI", que "estoura o limite fácil", que "é melhor nem mexer". Vamos ao que interessa, com números.
As regras e valores mudam — confira sempre o Portal do Empreendedor, que é a fonte oficial.
O que o MEI te dá
- CNPJ em minutos, on-line e grátis;
- Nota fiscal de serviço — a porta de entrada para agências, empresas e editais;
- Imposto fixo mensal (o DAS): um valor na casa de R$ 70–80 por mês, independente de quanto você faturou;
- Cobertura previdenciária (aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade);
- Acesso a maquininha/conta PJ com taxas melhores que as de pessoa física.
Compare com o trabalho informal: recebendo como pessoa física via RPA/carnê-leão, a mordida pode chegar a 27,5% de IR. No MEI, quem fatura R$ 4.000/mês paga menos de 2% de carga efetiva.
Fotógrafo pode ser MEI?
Pode. As ocupações do audiovisual constam da lista oficial — fotógrafo (inclusive submarino e aéreo), filmagem de festas e eventos, edição de vídeo, entre outras. Na hora de abrir, você escolhe a ocupação principal e pode somar secundárias (ex.: fotógrafo + filmagem de eventos). Duas atenções:
- A lista de ocupações muda de tempos em tempos — confira a atual antes de abrir.
- Social media/marketing tem nuances: parte das atividades de publicidade não é permitida no MEI. Se o seu carro-chefe é gestão de redes, verifique a ocupação exata ou já considere ME no Simples.
Os limites que derrubam gente desavisada
- Teto de faturamento: R$ 81 mil por ano (média de R$ 6.750/mês). Estourou até 20%? Paga a diferença e migra no ano seguinte. Estourou mais? A migração retroage, com imposto recalculado — é o cenário que você quer evitar planejando antes.
- 1 funcionário no máximo.
- Você não pode ter participação em outra empresa como sócio ou titular.
- MEI não te isenta de nota para pessoa física quando pedirem, nem de emitir a NFS-e pelos serviços prestados a empresas (desde 2023 a emissão é pelo padrão nacional — simples e pelo celular).
Exemplo calculado: você fecha R$ 5.500/mês de média (R$ 66 mil/ano) — cabe no MEI com folga, pagando ~R$ 75/mês de DAS. No ano seguinte, entram dois contratos mensais de social media e a média vai a R$ 7.500 (R$ 90 mil/ano) — hora de migrar para ME no Simples Nacional antes de estourar, onde a alíquota inicial de serviços fica na casa de 6% com possibilidade de reduzir via fator R.
Rotina de MEI sem dor
- Pague o DAS em débito automático (atraso vira dívida ativa por preguiça).
- Emita nota de tudo — é seu histórico bancário para crédito e financiamento.
- Separe conta PJ da pessoal e pague-se um "salário".
- Faça a declaração anual (DASN-SIMEI) até maio — 10 minutos, multa se esquecer.
- Guarde 6% do faturamento num "colchão de imposto" para o dia da migração.
Com CNPJ ativo, atualize seu perfil na IsoScanning: a plataforma permite sinalizar que você emite nota nos orçamentos — filtro que muita empresa usa para decidir quem chamar.
Perguntas frequentes
MEI paga imposto sobre cada nota?
Não. Paga o DAS fixo mensal; as notas só compõem o faturamento anual (que precisa caber no teto).
Posso ser CLT e MEI ao mesmo tempo?
Pode — atenção apenas ao seguro-desemprego (ter CNPJ ativo pode travá-lo) e a cláusulas de exclusividade do seu contrato.
Equipamento entra como despesa?
No MEI não há dedução de despesas (o imposto é fixo). Guarde as notas mesmo assim: elas provam origem do patrimônio e valem para seguro do equipamento.